Guerrilha Poética
Nos últimos tempos a sociedade vem engendrando um novo tipo de artista, ele produz, atua, dirige, executa, coordena, etc., suas áreas de atuação não se restringem a um campo específico, ele lança mão de várias línguas e linguagens, da música, do teatro, do vídeo, da dança, do texto, indiscriminadamente. Ele mantém uma relação tensa e contraditória com o mercado, com a indústria cultural, ele vive às suas custas, mas ele a sabota. Ele utiliza para isso a tática de guerrilha. Esse guerrilheiro da cultura, ou cultural, não pretende resgatar nada, não tem vocação pra bombeiro, antes incendiário. Quando todos estão querendo lê-lo ele põe fogo em seus próprios livros. Sua atitude é de um suicida que se lança sem medo no abismo do desconhecido. Suas ações são de um estrategista. Quando todos clamam pela paz no mundo ele declara guerra contra toda hipocrisia. Sua atuação é localizada e ele não pretende mudar o mundo. Seu golpe é forte e preciso. Seu discurso é exato e indecifrável. Sua ação é contundente e imperceptível. Ele é um não-especialista, seu conhecimento é genérico, geral, seu ritmo é frenético, terminal. Seu instrumento é a palavra e seu suporte pode ser o muro, o poste, a vitrine, a tv, o rádio, a tela, o monitor, o palco, o papel. De todos os cantos esses guerrilheiros se reúnem num outubro vermelho a cada volta do planeta ao redor do sol. Tem sido assim desde o fim dos tempos. Ali eles planejam novos ataques atômicos com o intuito de provocar o kaos com k em todo o continente. Num piscar de olhos, num triscar de lâminas, num travar de línguas, explodem as formas e conteúdos pré-estabelecidos. E calem-se as calúnias, quebrem-se os cânones e ergam-se as colunas de um novo tempo.
Salve todos os guerrilheiros da poesia!
*O autor não recebeu o primeiro prêmio no concurso de poesia, o autor não foi indicado para a academia e não vai se tornar imortal.
Escrito por Makely às 17h15
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