Revista de Autofagia

Ao contrário do que dizem os ressentidos e derrotistas, há hoje no país uma nova geração de poetas, artistas plásticos, músicos, atores, fotógrafos, cineastas enfim, criadores em geral que vem realizando ações significativas e das mais diversas naturezas no cenário cultural do país. Essas ações vão das mais diferentes formas de intervenções físicas e virtuais; publicação de livros, criação de blogues, instalações, mostras e exibição de videos, fotos, performances, apresentações musicais e uma infinidade de outras atividades afins. Vivemos num momento de ebulição criativa e temos os meios de produção em nossas mãos a um custo muito baixo. Isso nunca aconteceu antes! Ainda não nos demos conta de todas as possibilidades e muito menos das consequências disso tudo. O que sei é que há um novo tipo de criador e a principal característica dele, ou seja, o que o distingue de um artista do século passado, é o fato de ser um “não-especialista”. Ou então um especialista em generalidades. É um sujeito que cuida do projeto gráfico (para isso se vira em vários programas!), cuida da acessoria de imprensa (tem um jogo de cintura jornalístico!), faz a distribuição (espírito de aventura!) , escreve os projetos (alguém tem de fazer isso!), faz produção executiva (não confia em ninguém com mais de 30!), tudo sem deixar a peteca cair, ou seja, sem deixar de criar. Na verdade, todas essas atividades paralelas alimentam seu processo criativo. Talvez todos eles estejam condenados a viver menos que seus antepassados, devido ao desgaste gerado por tal desdobramento. Isso ainda não foi computado pelas estatísticas e vão ser necessários mais alguns anos de pesquisa e observação... Enquanto isso eles não param de produzir. A isso eu chamo Contra Indústria!
Foi dentro deste clima que chegamos à conclusão de que era necessária a criação de uma revista que, longe de dar conta, ao menos sirva como uma pequena vitrine deste momento, de algumas dessas ações, que expresse algumas dessas vozes que pipocam por aí. Escolhemos o ‘suporte’ papel porque ainda não conseguimos nos livrar de nossos vícios cultivados em sebos do século passado, temos apego carnal ao objeto-livro, gostamos de ver a lombada deles na estante, enfim, ainda não evoluímos como nossos irmãos mais novos, que dispensam qualquer tipo de informação que não seja passível de armazenamento em forma de bytes. Achamos também que assim estamos facilitando a vida de futuros arqueólogos. Ou contribuindo com a dieta de novas gerações de cupins. Seja como for a revista está aí. Pra cidade se orgulhar dela! Afinal de contas, uma revista, além catalizar toda uma cena, ou pelo menos dar uma idéia dela, também funciona como um instrumento de intercâmbio cultural dinâmico, levando e trazendo informações e dialogando com outras cenas e outros criadores. Nossa pretensão é muito humilde, a Revista de Autofagia pretende inaugurar um novo momento na cultura da cidade, fazendo um paralelo claro, intencional e trocadilhesco com a Revista de Antropofagia editada por Oswald de Andrade na década de 20. Para tanto pretende ser um porta-voz dos novos paradigmas estéticos/ideológicos, lançar mão das mais diferentes linguagens textuais e gráficas aliados a um projeto editorial arrojado.
10 razões para se lançar uma revista hoje
1 - Revistas são o veículo de publicação textual mais importante do meio literário dado o seu caráter informativo, sua circulação e seu espírito coletivo;
2 - Revistas são vitrines da produção de determinadas épocas, de determinados contextos;
3 - É através de publicações em revistas que a maior parte dos jovens criadores se lança no mercado;
4 - Revistas funcionam como parâmetro crítico para os leitores;
5 - Revistas funcionam como bússolas para escritores;
6 - Revistas são mais baratas que livros e portanto são mais democráticas;
7 - Revistas são vendidas em bancas de revistas;
8 - Revistas são periódicas e podem ser colecionadas como gibis;
9 - Revistas são lidas no banheiro;
10 - Há pouquíssimas revistas de poesia editadas hoje no país!
Escrito por Makely às 04h00
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Programação de lançamento
Quinta dia 18 a partir das 19h
Debate: “A produção contra-industrial”
Com Estrela Leminski [PR], Luciana Tonelli [MG], Marcelo Sahea [RJ] e Nicolas Behr [DF]
Local: Centro de Cultura Belo Horizonte [R. da Bahia, 1149 - Centro]
Sexta dia 19 a partir das 19h
Lançamento da revista e dos livros “Cupido: Cuspido e Escarrado”, de Estrela Leminski; “Leve”, de Marcelo Sahea e “Umbigo”, de Nicolas Behr.
Local: Livraria Quixote [R. Fernandes Tourinho, 274 - Savassi]
Sábado dia 20 a partir das 20h
Sarautofágico – outras deixas de música e literatura
Música e poesia com participação de músicos e colaboradores da Revista de Autofagia
Local: Pastel de Angu [R. Alphonsus Guimarães, 62 - Santa Efigênia]
Escrito por Makely às 03h30
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