Fora da Ordem
A Ordem dos Músicos é uma entidade criada com o intuito de defender os interesses dos músicos brasileiros. Isso foi em 1960. De lá pra cá o que se viu foi uma série de desmandos, um presidente empossado a quarenta anos pelos militares e o uso inconstitucional de ‘poder de polícia’ pelos seus fiscais, que interrompem shows, apreendem instrumentos e chegam a ameaçar a integridade física dos músicos que não se submeterem às suas ordens, ou seja, não estiverem inscritos em seus quadros e pagando regularmente a anuidade. Nunca fui filiado e ano passado entrei com um mandado de segurança. Consegui na justiça uma liminar que me garantiu o direito de exercer livremente a profissão de músico, sem ser obrigado a me filiar. Um direito aliás garantido pela Constituição Federal de 1988. Em outros estados já haviam ações semelhantes e aqui em Minas vários músicos vieram engrossar o caldo a partir do precedente. Minha ação já está em segunda instância. Pois bem, quem visita regularmente este blogue ou acompanha minimamente os jornais sabe que há hoje um movimento nacional de músicos questionando os mandos e desmandos da OMB. Recentemente o processo de cassação da licença do músico Eduardo Camenietzki no Rio de Janeiro foi o estopim para desencadear um abaixo assinado que contou com mais de mil assinaturas de músicos de todo o país, com a adesão de nomes como Caetano Veloso, Chico Buarque e o próprio ministro Gilberto Gil. Curioso é que a gota d’água que desencadeou todo o processo de mobilização da classe, ou seja, o fato que levou à cassação do registro do músico na OMB ocorreu porque ele teria se referido num e-meio ao presidente regional da entidade no Rio como “papa-defuntos”, em alusão ao fato de que o único benefício oferecido pela Ordem é o auxílio-velório. O certo é que o episódio de humor mórbido gerou uma articulação dos músicos como não se via há tempos, tirando do limbo conformista uma classe conhecida pela falta de organização. Prova cabal disso foi o show-protesto contra a OMB que ocorreu na segunda-feira nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro. Organizado pelos músicos do Fórum Permanente de Música do Rio com apoio do Fórum Nacional, o show contou com a participação de artistas como Barão Vermelho, Alex Mono, Alcione, Du Oliveira, Jorge Aragão, Tibério Gaspar, Sandra de Sá, Rênio Quintas, Lenine, Zélia Duncan e outras dezenas de músicos conhecidos e desconhecidos do público mas igualmente indignados com a entidade que deveria representá-los neste momento. Agora já há um início de mobilização para que o show-protesto aconteça também em outras cidades. Quem se habilita?
Escrito por Makely às 02h14
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