Jornal Estado de Minas - Belo Horizonte, sexta, 20 de 01 de 2006
Fora da lei
O compositor Makely Ka lança “Danaide” e prova que é possível produzir arte sem depender de projeto de incentivo ou gravadora
Mariana Peixoto

Makely Ka e Maísa Moura apresentam 14 canções em disco viabilizado com recursos próprios
Danaide, álbum que reúne a obra do compositor Makely Ka com a cantora Maísa Moura, é prova de que é possível fazer um trabalho totalmente desvinculado de gravadoras e/ou leis de incentivo fiscal. Nos últimos três anos, Makely e Maísa apresentaram boa parte do repertório de 14 faixas do disco em espetáculos em Belo Horizonte e outras cidades. Chegaram a aprovar o projeto do álbum na lei estadual de incentivo à cultura. Como a captação emperrou, decidiram realizá-lo na marra (também o nome da distribuidora criada por Makely).
“Aconteceu que o disco acabou se resolvendo de outra forma. Não desdenho patrocinador, ainda mais porque a verba das leis é dinheiro público, então é nossa obrigação ocupar esse espaço. Só quis mostrar que é possível fazer sem”, afirma Makely. Foram dois anos de produção do disco, que tem tiragem inicial de apenas 500 cópias. O compositor contou com a boa vontade de músicos, estúdios e designers. Acredita ter gastado R$ 5,5 mil. “Fiz muitas permutas. Quando fazia show, divulgava o nome do estúdio nos cartazes. Combinei de chamar os músicos para os shows e pagar cachê razoável”, explica.
As saídas criativas acabaram influenciando a estética do álbum, que teve direção musical de Makely e Renato Villaça. “Íamos fazer um disco com percussão e parte instrumental maior.” Com os cortes de orçamento, a base acabou sendo o violão, que, dessa maneira, deu foco maior à composição. Todas as faixas levam a autoria de Makely, ora sozinho, ora em parceria com Estrela Leminski (Rodador, poema em palíndromo que dialoga com o tema do álbum, já que um dos significados de danaide é roda); Renato Negrão (Monotonia gris, gravada anteriormente por Patrícia Ahmaral); e Tabajara Belo (Jacarta,com a participação de Suzana Salles, uma das vozes da chamada vanguarda paulistana). Há ainda duas canções compostas por Makely e Maísa (Surya e O velho). “Fiz todas as canções para a voz dela”, conta.
Sem patrocínio para a gravação, Makely conseguiu aprovar a turnê do disco pela lei estadual de cultura. No entanto, antes de começar a excursionar pelo estado, ele apresenta Danaide fora de Minas. Em fevereiro, faz shows em Recife e Campinas. Em Belo Horizonte, o lançamento deve ser em abril. Ele aguarda fechar com algum teatro, pois há um ano parou de se apresentar em bares da cidade. “Em BH, o hábito das pessoas é sair para beber e ouvir aquela música de barzinho de fundo. Arrumei muita confusão com os donos de bares, em situações tragicômicas, pois sempre toquei as minhas músicas, e não covers, por total incompetência. Os donos de bares têm de entender que precisam da gente. Se eles investem em decoração e uma série de coisas, não podem ter som paupérrimo, cheio de gambiarras. Não conheço, em Belo Horizonte, uma casa de espetáculos que trate os músicos com respeito”, critica.
Em 2003, Makely lançou, com Kristoff Silva e Pablo Castro, o CD A outra cidade. No segundo semestre, pretende lançar Autófago, esse sim seu primeiro álbum solo. Também produzido por Renato Villaça, é trabalho oposto a Danaide, mais pesado, com baixo, guitarra e bateria. Em março, lança a edição inicial da Revista de Autofagia, claramente inspirada na Revista de Antropofagia, de Oswald de Andrade.
DANAIDE
CD de Makely Ka e Maísa Moura. À venda por R$ 15. Informações:
distribuidoranamarra@hotmail.com
Escrito por Makely às 15h09
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CD Danaide

Produzido por Maísa Moura e Makely Ka (Sêlo Musical / 2006)
Foram dois anos de gravação e muitas horas enfurnados em estúdios. O resultado é esse: um disco autoral autoproduzido quase artesanalmente, no sentido contra-industrial do termo. Da composição à masterização, passando pelos arranjos, mixagem e projeto gráfico, tudo feito por nossa própria conta e risco.
Acústico e sem percussão ou bateria, somente cordas (violões, viola, bandolim, baixolão, violoncelo e guitarra acústica). Só composições minhas, algumas com parceiros como Renato Negrão, Estrela Leminski, Tabajara Belo e Maísa Moura. Todas as canções interpretadas por Maísa, com a participação da cantora paulista Suzana Salles em uma delas.
Foi tudo feito de forma muito orgânica e, apesar dos percalços, saiu exatamente do jeito que nós queríamos. Sem patrocínio, gravadoras ou leis de incentivo por trás, foi feito com o apoio da lei da gravidade. E dos músicos que tocaram milhões de notas sem receber uma nota de real sequer. (Espero recompensá-los quando começarmos a fazer os shows de divulgação!)
O fato de ter sido feito assim, na marra, deixa um gosto agridoce na boca e isso não significa que desdenhamos patrocinadores ou leis de incentivo. Significa que é possível também trabalhar sem esses instrumentos – que não raro se tornam muletas. Esse é um dos princípios da Contra Indústria: “faça você mesmo”.
Prensamos somente 500 cópias e se você quiser adquirir um exemplar, em Belo Horizonte peça nas lojas Páginas Antigas (Rua Fernandes Tourinho 149 – Savassi Tel. 3221-8490), Discomania (Rua Paraíba 1378 Lj. 117 Tel. 3227-6696) e Acústica CD (Rua Fernandes Tourinho 300 Tel. 3281-6720). Ou então encomente pelo e-meio <distribuidoranamarra@hotmail.com> que enviaremos pelo correio (R$ 15,00 + despesas postais).
Em breve vamos disponibilizar algumas faixas
Trama Virtual
Outros blogues onde já falaram do CD
Musicaleidoscopica
No Calo
Já criaram até uma comunidade
Orkut
(Clique nos links)
Escrito por Makely às 04h24
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