Estou de férias!
Caros leitores, retorno ao cotidiano virtual depois de um pico de tensão que semana passada fulminou a fonte de minha máquina e de quebra queimou também o modem. Além disso a síndrome do fim-de-ano chegou mais cedo e entrei no olho do furacão nos últimos dia de paupéria.
Tudo começou quando peguei num sábado à noite um ônibus na rodoviária de BH com destino a São Paulo. Cheguei lá no domingo pela manhã com cara de quem ficou sacolejando a noite toda sem pregar o olho. Liguei para o estúdio onde havia reservado um período para gravar a voz da Suzana Salles, que faria uma participação especial no CD que eu e Maísa estamos finalizando. Nada feito, houve um mal entendido e o técnico não poderia comparecer. Não encontrei em toda a São Paulo um outro estúdio aberto e com horário disponível para aquele dia. Mas não perdi a viagem, passei a música com a Suzana e ainda fomos ao Sesc Pinheiros assistir uma apresentação do grupo A Barca.
Peguei o ônibus de volta às 17h59 no Terminal Tietê e cheguei mal dormido em BH no meio da madrugada. Suzana gravou na segunda e enviou o CD pelo correio mas eu já estava no Rio participando da Reunião da Câmara Setorial de Música onde seria discutido o tema Difusão. Ficamos lá na Funarte dois dias inteiros discutindo estratégias para a difusão da música brasileira aqui e no exterior. Estavam lá representantes dos músicos de onze estados brasileiros mais ECAD, ABPD, ABMI, ABERT, ABER e MinC entre outras entidades. Os pontos nevrálgicos da discussão foram o Jabá e as concessões de rádio e TV. O representante da ABPD (Assoc. Brasileira dos Produtores de Discos), ou seja, o representante das grandes gravadoras, entre outras pérolas, disse algo muito esclarecedor sobre a forma como as majors lidam com o jabá num depoimento gravado e testemunhado por todos os presentes: “Não existem provas da existência desta prática, portanto o jabá não existe”. Descobrimos naquele momento que estávamos num congresso de metafísica! Ainda assim conseguimos aprovar um documento que será encaminhado ao MinC com algumas propostas interessantes, entre elas a criação de um selo de destaque para as emissoras que optarem por uma maior diversidade musical em sua programação. Mais ou menos assim: a rádio que tocar mais de 2.000 músicas diferentes por mês, por exemplo, recebe o selo e ganha algum tipo de isenção fiscal. É uma forma estratégica de coibir a repetição de músicas e conseqüentemente a ‘inexistente’ prática do jabá.
Quinta à noite antes do vôo eu dei baixa no hotel e aproveitei que estava na Cinelândia para dar um pulo na Lapa. Estava acontecendo a MOLA (Mostra Livre de Arte) no Circo Voador e vi muita coisa boa por lá. A maior parte eram grupos universitários (UFF, UFRJ, UNI-Rio, etc.). Fiquei pensando porque isso não acontece aqui. Será que o único programa cultural dos DCE’s mineiros são as etílicas calouradas? (continua)
Escrito por Makely às 13h25
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Quando cheguei fui direto pra Black Golden City, pra participar do tal Fórum das Letras. Meu nome só saiu na programação depois do fim do evento, mas tudo bem, valeu por ter encontrado a Alice e conhecido o Carlos Felipe Moisés, o Sérgio Alcides, o Rodolfo Guttilla e o Fabrício Carpinejar entre outros escrevinhadores que participaram do sarau no Restaurante Triunpho. Na ocasião passei até um livro pro Zuenir Ventura que estava atento à nossa falação de poesia. Pena foi não ter visto o Piva falar, parece que ele desistiu na hora h. Estava na cidade mas resolveu nçao aparecer. Mas o legal mesmo foi no dia seguinte, quando fiz questão de lavantar cedo pra ver qual era a do tal Mário Sabino, escritor convidado do Fórum, que por acaso é editor da Revista Veja. Não é que o sujeito começou a falar de uns escritores que estavam querendo mamar nas tetas do governos, que dinheiro público não era pra ser investido em literatura e outras borrachas que tais? Quando perguntei se ele sabia que o Fórum era bancado com dinheiro público e frisei que as propostas do movimento Literatura Urgente eram para democratizar o acesso, incentivando a criação, a produção e o consumo de literatura no país, ele ficou alterado, disse que eu estava sendo deselegante, que ele havia sido convidado para falar de seu trabalho literário, que não estava lá como editor. Mas será que o escritor Mário Sabino estaria lá se não trabalhasse onde trabalha? Será que sua obra, por si, garantiria sua participação em Fóruns Literários e, mais do que isso, sua sobrevivência? Acredito que não. Pena que a coordenação da mesa resolveu apaziguar o debate, voltando para questões “estritamente literárias”. Ainda assim voltei pra casa feliz com a 1ª edição, de 1962, de “Deus da Chuva e da Morte” do Mautner que comprei no estande da Crisálida montado no Fórum.
Na mesma semana fui ainda pra Viçosa tocar no FECAVI que é um festival de música promovido pela UFV. Eu e Maísa fomos convidados pela organização para encerrar a primeira noite, onde só concorreriam grupos universitários. Foi a primeira vez que nos apresentamos com guitarra, baixo e bateria, sem violoncelos, marimbas ou contra-baixos acústicos. Pra isso chamamos o Guilherme Castro e o Avelar Jr. do Somba mais o D’Artagnan da Contrabanda.
Por fim, mandamos o CD pra fábrica e pra fechar o ano agora só falta o Mercado Cultural em Salvador, no início de dezembro. Além, é claro, da Revista de Autofagia, que agora está na linha de frente. Aguardem notícias!
Além do mais, como vocês devem ter percebido, esse blogue não está mais aceitando imagens e estou procurando outro espaço pra continuar o processo autofágico. Aceito sugestões!
Escrito por Makely às 13h23
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