Os Griots
É inegável o grande legado que a Mãe África ofereceu na formação da cultura brasileira. Além da mão de obra de negros e negras que, no passado, atravessaram o Atlântico para trabalhar nos latifúndios, minas, cozinhas e terreiros das Casas Grandes, os navios trouxeram para o Brasil homens - detentores de tecnologias e conhecimentos - que eram a história viva das nações e impérios d’África, transmitida de geração a geração. Na tradição, estes homens são chamados griots. São contadores de história, professores, poetas, músicos e mestres na arte da retórica, os guardiões da cultura e diáspora africana no mundo.
Os griots são responsáveis pela preservação dos conhecimentos da ancestralidade africana pela tradição oral. São homens – na maioria – e mulheres que resistem a serem escravizados pelas tecnologias da civilização moderna, e que, com palavras e artes, duelam contra a alienação provocada pelas máquinas.
Sob as sombras de frondosas árvores das savanas africanas, os griots resenhavam para a comunidade a história e genealogia dos impérios. São possuidores de um imenso repertório de estórias, provérbios, dizeres e ditados para a condução de uma vida harmônica, canções satíricas, canções de louvor e canções populares, comumente conhecidos. Na época dos impérios, eles eram músicos da corte, músicos viajantes, cantores e oradores de discursos, além de terem sido conselheiros e confidentes da realeza.
Todos têm em comum a educação e demais ensinamentos que são precocemente passados ainda na infância, no seio das famílias, recebendo, os meninos, treinamento adicional para tocar instrumentos musicais. Um dos mais conhecidos griots é Diakuma Dua, que viveu à época do legendário rei Sundjata Keita. Sua melodia e palavras estão gravadas no “Hino do Mali”, uma canção que está profundamente ancorada à memória do império Malinke, e que é freqüentemente apresentada e cultuada.
Por causa do declínio dos impérios, das mudanças na estrutura social impostas pela colonização européia nos países africanos e novos padrões estabelecidos pela vida moderna, os griots tiveram de se adaptar às novas condições. A maioria deles hoje é independente e coloca seus talentos a serviço de empregadores e da comunidade. Atuam como diplomatas e sacerdotes responsáveis pela celebração de casamentos, batismos, funerais e outros serviços sociais. Mas, na África ou fora dela, os griots ainda são os fecundadores das raízes milenares do continente até os dias atuais.
NOITE DO GRIOT com MAKELY KA
Quarta-feira, 10 de agosto, às 20 horas
CENTRO CULTURAL CASA ÁFRICA (Rua Leopoldina, 48, Santo Antônio)
Ingressos limitados: R$ 10,00
Informações: 3344-1803
Escrito por Makely às 01h51
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|