Parati é uma festa!

Parati é uma cidade intrigante. Dentro da corrente do centro histórico não circulam carros, só pedestres e charretes. Todas as cidades barrocas mineiras deveriam seguir o exemplo. Além do patrimônio, quem agradece é o comércio local, que lucra muito mais, lógico, com a peregrinação dos turistas pelas ruas irregulares. O barroco litorâneo de Parati me intriga pela improvável conexão com o planejamento positivista da cidade, gritante nas ruas em forma de calhas de escoamento da maré e no traçado geométrico dos quarteirões. Além da alta concentração de escritores por metro quadrado, os preços também planavam nas alturas e não era possível encontrar um lugar sequer para fazer uma refeição básica por menos de R$ 20,00. Afinal a Feira Literária de Parati é Internacional e os restaurantes preferem receber em Euro. Dentro desse espírito os organizadores resolveram capitalizar as mesas de uma forma mais profissional: você paga R$ 17,00 para ter acesso à grande tenda e ver os caras falarem a alguns poucos metros de distância; paga R$ 12,00 para se sentar de frente a um telão e assistir os caras falarem a vários metros de distância; e não paga nada para se sentar na praça e ouvir os caras falarem pelos autofalantes virados para a rua. Foi assim que eu ouvi o Suassuna dar sua aula-espetáculo. Mas acontece também um circuito paralelo, que apesar de se chamar OFF ( precisava?) mantém uma programação de responsa e acessível a qualquer mortal disposto tolerar um bando de poetas e escritores martelando seus escritos nos ouvidos dos espectadores. Valeu ter encontrado por lá o Chacal e a galera que continua na batalha, publicando seus livros, fazendo seus vídeos, seus cd’s, montando suas peças e suas exposições.
Por falar em gente que faz - e por isso incomoda -, quando cheguei a BH, o circo já estava armado: pegando carona na crise política alavancada por malas e cuecas, a Revista Veja dedicou uma página inteira a desbancar a iniciativa de escritores de todo o país que reivindicam políticas públicas de fomento à literatura. É verdade, o movimento Literatura Urgente, deflagrado através da blogosfera, vem incomodando muito peixe grande. Mas se uma revista com editoriais tão rasos e direcionados e jornalistas tão preconceituosos e despreparados quanto essa falasse bem de um movimento do qual faço parte eu me sentiria incomodado. Não foi o caso. Veja o que disseram Ademir Assunção e Marcelino Freire, ‘entrevistados’ pela reportagem.
E quem quiser saber o que rolou na segunda reunião da Câmara Setorial de Música, no Rio, dê um pulo no blogue do Fórum Permanente de Música de Minas Gerais que postei lá um relatório com as principais decisões e encaminhamentos tomados.
Escrito por Makely às 22h30
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