autofagia


Como lançar seu disco

Essas dicas foram publicadas na página da Trama Virtual (linque ao lado), que hoje é um dos maiores celeiros da produção independente do país. Pra quem ainda duvida do poder de fogo da rede, basta dizer que tem banda lá com mais de 100 mil downloads que não possui sequer CD lançado. As dicas em geral não são novidade pra quem já está na correria há algum tempo e também não vão levar ninguém ao estrelato, mas valem como parâmetro para planejar novas ações e continuar na batalha:

Por Leandro Carbonato

Na semana retrasada, fizemos uma pesquisa com algumas personalidades do cenário underground para saber qual a melhor forma de se gravar um disco de maneira independente. E a agora, que se tem um disco gravado e não se sabe direito o que fazer com ele? Como alcançar o público? Como divulgar? Como distribuir? Parece difícil. Algumas pessoas experientes no assunto nos disseram que não é tão complicado assim.

Começando pela masterizaçao

“É na masterização que você pode fechar a cara do disco para mandá-lo para a prensa. Seria algo semelhante à arte-final na área gráfica, ou à finalização (pós-produção no cinema ou vídeo). É nela que você vai dar uma cara mais uniforme às diferentes mixagens que compõem todo o álbum, através de equalizadores, compressores, limitadores, conversores, redutores de ruído, etc. Além de encontrar o volume geral do disco, de acordo com o estilo musical ou a escolha estética do artista, fazendo com que o disco tenha uma uniformidade técnica. Pode-se corrigir também erros gerais de mixagem (tipo sobra de grave, falta de altas frequências e etc). Vale lembrar que você vai estar mexendo no material já mixado (direita + esquerda, ou se preferir L+R), não no canal do bumbo, da caixa, da guitarra, etc. É mexido no todo.” Fernando Sanches – Estúdio El Rocha, Van Dammien, Againe, CPM22, Hateen

Bancar tudo de formas alternativas

“Para isso, existem três opções, prensar de maneira convencional, gravar em série (tipo CD-R) ou disponibilizar na internet. Disco virtual é muito sem graça, não é? Eu acho. Sou totalmente a favor da disponibilização gratuita de acervos na internet, mas vejo isso mais como uma ação acessória. Quanto à escolha entre um disco industrial e um artesanal, varia muito de caso a caso. Você tem público suficiente para lançar um disco em grande quantidade? Ou realisticamente espera atingir? Só nesse caso, vale a pena. Do contrário, é sentar sobre o investimento. Sem grana, a banda não tem como gravar material novo, fica refém do próprio trabalho. Surpresas sempre acontecem, se seu disco artesanal for melhor sucedido do que você esperava, você sempre pode alterar o plano no meio do caminho, para dar um passo maior ou mais um pequeno. E se você quer que seu disco artesanal seja visto como um disco industrial, trate de caprichar. Faça um trabalho bonito. E mais, tire vantagem disso. Personalize, customize, crie um diferencial.” Guilherme Barrella – Blue Afternoon, Peligro

“A banda tem que se organizar bastante e revezar funções, tipo mandar um certo número de CDs para não sei onde e tal. Tem que ter disciplina, as vezes é difícil, dá preguiça. ‘Mais cinco minutinhos, depois eu acordo’. É bem isso. Disco prensado industrialmente: maneiro! CD-R: da hora! Disco virtual: visionaire with lasers!” Lovefoxxx – Cansei de Ser Sexy (Foto da capa)

Depois dessa escolha vem a hora da distribuição

“Fale com bandas de outras cidades, outros estados, conheça as lojas legais de cada lugar. Mande uns discos, faça contatos. Faça shows bem divulgados e sempre coloque os discos à venda. Venda pelo site da banda. Se for o caso, procure uma distribuidora. Hoje em dia existem distribuidoras para os pequenos, aproveite. Acho que distribuição é sempre uma ação conjunta, tire um pouco de cada lugar, nada de colocar todos os ovos numa mesma cesta.” Guilherme Barrella Mas e a divulgação? “Claro que é a internet. Você conhece alguém que não senta na frente de um computador pelo menos uma vez por dia? Eu não. Só precisa ter apetite pelo tipo de coisa e ir atrás, por que está tudo aí. Esse com certeza é o primeiro meio de contato, e depois você pode fazer a fanzinera. Não precisa nem ter soulseek ou qualquer outro programa de compartilhamento de arquivos. Eu consigo mil coisas incríveis só de entrar nos sites das gravadoras e das bandas. Todo mundo está bem legalzão em relação a liberar umas faixas do álbum em site. Acho isso bom, tenho mais respeito pela banda, acho mó camaradagem. Há um interesse em mostrar a música e é isso aí.” Lovefoxxx



Escrito por Makely às 19h33
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Encontro Nacional dos Músicos em Brasília

Músicos de cerca de 16 estados estiveram reunidos em videoconferência nesta quinta (24/02). No encontro, que também contou com representantes do MinC os músicos decidiram a data e local do Encontro Nacional dos Músicos e receberam mais informações sobre composição e atribuições das Câmaras Setoriais

Representantes da classe musical de cerca de 16 estados estiveram reunidos em videoconferência na tarde desta quarta-feira (23/02). Além dos músicos, estavam presentes o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Juca Ferreira, o presidente da Funarte, Antonio Grassi, os representantes da Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura Aluízio Guapindaia e Ângela Andrade, e a diretora do Centro de Música da Funarte, Ana de Holanda. Na pauta, dois assuntos principais: a data e local do Encontro Nacional dos Músicos e a implantação da Câmara Setorial de Música.

A "Câmara Setorial deve ser representada horizontalmente", ou seja, abranger toda a classe envolvida com a música, desde os artistas e letristas aos empresários, meios de comunicação, produtores, entre outros.

Encontro Nacional

A preferência expressa de vários estados e do próprio Grassi era por Belo Horizonte, mas os representantes do fórum mineiro declinaram. Após a votação de todos, Brasília foi escolhida para sediar o evento, que foi marcado para os dias 28, 29 e 30 de março.

Para o encontro, o Ministério da Cultura vai ajudar disponibilizando 32 passagens aéreas (duas para cada estado mobilizado – que atualmente são dezesseis), hospedagens e diária. Ângela Andrade afirmou que não é possível reverter essas passagens em dinheiro, segundo normas do MinC. No entanto, é necessário deixar claro que o encontro é aberto a todos os músicos do Brasil que queiram participar.

Formação da Câmara Setorial

Os representantes do MinC deram mais alguns detalhes sobre as Câmaras Setoriais. Segundo eles, as câmaras (livro, música, artes cênicas, etc) estarão submetidas ao Conselho Nacional de Políticas Culturais, o único que terá caráter deliberativo. As câmaras (no caso da música, formada por integrantes do Governo, músicos e representantes da cadeia produtiva da música) desempenharão a função específica de discutir as diretrizes das políticas de cada setor.

O Conselho possuirá 38 membros, sendo metade representante do governo e a outra metade da sociedade civil. No último caso, a Câmara Setorial indica seus representantes. Nas categorias que não possuem Câmara Setorial, como o caso de designer, por exemplo, será feita uma lista tríplice pelo Ministério da Cultura, que vai indicar esse representante.

 



Escrito por Makely às 16h25
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