Guerrilha Política na Poesia
Esse poste eu reproduzo da Espelunca do Ademir Assumpção (vínculo aí ao lado).
É SÓ SE MEXER QUE AS COISAS ANDAM Ou: Ministro Gilberto Gil quer saber o que os escritores querem
Cambada: acabei de chegar de um encontro do Primeiro Escalão do Ministério da Cultura (Ministro Gilberto Gil incluído) com os artistas, produtores culturais, etc, para o lançamento das Câmaras Setoriais de Música, Artes Plásticas, Artes Cênicas e... do Livro e da Leitura. Auditório do MINC em São Paulo lotado. Depois da prestação de contas do que o Ministério da Cultura fez até agora (e já rolaram muitos projetos, como a rearticulação da Funarte, do Projeto Pixinguinha, de concursos nacionais de artes cênicas, etc) e das explicações sobre o funcionamento das tais Câmaras Setoriais, abriu-se a palavra aos participantes. Bem, aí começa o que interessa mais diretamente a nós, escritores e poetas. Eu pedi a palavra e falei (não em nome dos, mas) pelos escritores. Não sou líder de nada, mas achei que era uma boa oportunidade de interferirmos na discussão que está rolando. E a primeira coisa que pedi, que reivindiquei, que cobrei, foi que houvesse uma mudança de nomenclatura e a palavra LITERATURA fosse incluída no nome da Câmara Setorial. Pra ficar assim: Câmara Setorial da Literatura, do Livro e da Leitura. E por quê? Não se trata de uma simples questão retórica. Trata-se da inclusão dos escritores nas discussões. Ou em outras palavras: na elaboração de políticas públicas que incluam o ESCRITOR, principal agente da cadeia produtiva da LITERATURA, e não apenas os EDITORES, LIVREIROS, etc... Argumentei que não estava sendo criada a Câmara Setorial do CD, mas da música, ou a Câmara Setorial da Peça, mas das Artes Cênicas. Entendem a diferença? Pois pasmem (ou não pasmem) vocês: o próprio ministro Gilberto Gil bateu palmas e disse que a reivindicação é justíssima. Eu aproveitei e perguntei: então podemos considerar que a palavra LITERATURA já está incluída (com tudo o que isso representa para nós)? E ele disse: sim. Já está incluída. A partir de agora. E nos chamou para fazer nossas propostas. Disse: nós estamos abrindo o Ministério, não estamos fazendo política de gabinete. Estamos chamando todos os agentes da cultura, do processo criativo, para dizerem o que querem. Venham dizer o que vocês, escritores, querem. Mas sejam rápidos, pois o trem já está andando. Então: agora é conosco. O que queremos? Vamos articular propostas sérias, duradouras, pensando na LITERATURA (e não nos nossos próprios umbigos)? Vamos articular e enviá-las para o Galeno Amorim, responsável pela Política Nacional da LITERATURA (agora incluída), do Livro, da Leitura e das Bibliotecas? Vamos? Ps: umas dez pessoas vieram falar comigo depois do meu depoimento. Disseram que alguém precisava dizer tudo isso. Entre as pessoas que falaram comigo: Ivana Jinkings (da editora Boitempo), José Roberto Aguilar, artista plástico e escritor, e Luis Turiba (poeta e assessor de imprensa do Ministro Gilberto Gil). Outra coisa: quero deixar bem claro: não sou líder de porra nenhuma. Sou teimoso, isso sim. Os caras do Ministério abriram as portas e estão discutindo seriamente. Achei que tinha que ir lá conversar com eles. Mas não quero ir sozinho. Repito: não quero ser líder de nada. Estou socializando as informações. Sinto ainda uma apatia enorme entre os escritores de São Paulo. Como é, cambada: estão nos chamando. Vamos ou não vamos? Mais uma coisa: disse ao Galeno Amorim que, semana que vem no máximo, um grupo de escritores vai enviar propostas a ele. Vamos fazer essas propostas e assinar em peso o documento? Ricardo Aleixo: agite aí no seu blogue também, please.
Escrito por Makely às 17h50
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Regurgitofagia - Michel Melamed

A primeira vez que vi Michel foi no CEP 20.000 uns cinco anos atrás. Fiquei impressionado com a forma como ele mandava seus poemas verborrágicos. Humor ácido, encadeamento preciso de idéias desconexas num fluxo incessante de aliterações e hipérboles. Um discípulo de Fawcet, pensei. Por outras vias eu também buscava algo parecido, como registrei no CD Poemas de Ouvido, na “Confábula”, de acento declaradamente beatnik, ou em “Tábua de Caixote”, de inspiração mais dadaísta. Sabia de qualquer forma que ainda ia ouvir falar do cara. Agora, recentemente, após publicar um poste sobre um espetáculo do performer Marcelo Gabriel, o poeta Marcelo Sahea me perguntou se eu conhecia Regurgitofagia. O espetáculo está em cartaz só no Rio, por enquanto, mas na revista eletrônica Errática está disponibilizado um trecho em vídeo. Fruto de uma Bolsa RIOARTE no segmento 'Arte e Tecnologia', a performance do poeta multimídia (redundância?) Michel Melamed mescla diversas matizes de expressão, utilizando-se da integração de teatro experimental e artes-plásticas através exclusivamente de fragmentos de textos autorais e de uma interface denominada "pau-de-arara": cada reação sonora da platéia (respostas a perguntas específicas, risos, vaias, aplausos, tosses, etc.) é captada por microfones que as transformam em descargas elétricas sobre algumas extremidades de seu corpo. Confiram aqui: http://www.erratica.com.br/#
Escrito por Makely às 20h07
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